‘Rebelde’ vence, convence e predomina absoluta


Há quem não aceite, mas Rebelde começou sem graça e melancólica. Com muita embalagem e pouco chiclete, a Record, que tinha apostado todas as suas fichas e gritado para os quatro cantos do mundo ouvirem que sua novela iria revolucionar, engoliu uma trama que não mostrou nada além do que o Brasil assistiu em Malhação nos anos 90. Não teve um texto capaz de prender os jovens, que foi formal de mais em algumas cenas e pecou por excesso de infantilidade em outras, nem os próprios atores estavam envolvidos ao ponto de passar para o telespectador uma história mais real. Enfim, era um jogo difícil desde o princípio. Difícil e arriscado; e a Record sabia disso.

Abusando demasiadamente das cores, Rebelde pecou nas primeiras semanas, exagerou nos vocábulos ‘prontos’, nos cenários que não combinam com a verdadeira realidade dos jovens no Brasil – principalmente quando um dos temas era colégio interno – e não soube mesclar a ficção com o real. Foi uma sucessão de erros, um deles partiu da própria emissora quando resolveu deixar o diretor Edson Spinello de fora dos cuidados do folhetim, sendo que foi Spinello que deu forma a Malhação. O resultado estava escancarado e irreversível, estampado na cara dos responsáveis pela novela, foi um amargo terceiro lugar e 20% da audiência esperada: 4 pontos no Ibope.

Os desafios da Record eram muitos, ainda no começo, quase todos que se tem notícia. O primeiro foi enfrentar os fãs incondicionais da versão mexicana, que, independente do trabalho que a Record fizesse, o mesmo seria alvo de críticas. A segunda grande dificuldade é que, apesar de a Record ter um grande espaço para produção de telenovelas, ainda não se sabe até que ponto será suficiente para emplacar uma novela adolescente, principalmente num mundo tão atual e que já não tem a televisão como principal e irreverente forma de entretenimento.

Hoje o que se observa é um panorama bem diferente daquele citado. Os atores estão mais maduros, os textos mais realistas e dinâmicos, a própria emissora mais coerente com o seu produto, logo o alarde diminuiu, o que conseguiu tirar o peso de ter que render. A novela resolveu seguir o caminho mais fácil, uma trama leve, com agilidade e humor, sem tantas inovações e demasiadas criatividades. A parte técnica ficou impecável e os figurinistas estão executando a sua parte bem feita, o que fez com que as fotografias saíssem num nível mais alto. Pelo conjunto da obra, atualmente, Rebelde convence.

Mas não ao ponto de ser considerada um sucesso, não, muito pelo contrário, a caminhada é longa e o suor tem que ser dobrado. “Alta Estação” foi exemplo vivo do excesso de esperteza da emissora, a trama teen tinha previsão de ficar 4 anos no ar, ficou nove meses e levou o premio de uma das piores audiências que a emissora já teve. 

Por: Breno Cunha

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