José Luiz Datena fala mal da TV Record em entrevista à Folha de S. Paulo


Nos últimos 45 dias, o apresentador José Luiz Datena, 54, trocou de emprego três vezes e viu seu salário inicial, de R$ 850 mil, cair para menos da metade deste valor. No período, seu programa saiu da Band, entrou na Record e a partir de segunda-feira volta para a Band.

Cercado de boatos e críticas, muitas das quais verbalizadas pelo próprio Datena enquanto esteve no ar na Record, o entra-e-sai causou mal estar nas duas emissoras e deixa um complexo processo jurídico envolvendo duas multas milionárias.

Datena recebeu a Folha na última terça-feira (2). “Evidente que fiquei muito tenso com toda esta movimentação. Quase morri”, disse o apresentador, gesticulando seu braço direito ornado com duas pulseiras, de ouro e prata. Na entrevista a seguir, ele explica seus motivos e arremata: “eu era mais feliz quando estava por baixo do que quando fiquei por cima”.

Na Band a estrutura era melhor? 

A Band não pode ser melhor porque a Record é uma emissora grande. Mas veja o caso do Hamilton (piloto de helicóptero). Ele tinha liberdade total na Band, mas na Record começaram a cercear a participação dele. Eles cortaram o barato do Hamilton. “Não usa demais, se não banaliza o cara”, era o que me diziam. Mas como, se são as cenas de helicóptero que dão vida ao programa? Outra coisa: quem pagina o jornal normalmente sou eu. Mas na Record, me diziam: “melhor você não paginar, só comentar”.

E o ibope? 

Depois que mexeram no programa o ibope caiu pra caramba, e comecei a empatar com o SBT. A impressão que eu tenho é que estavam me apagando como uma vela. Guardadas as proporções, é a mesma coisa que você contratar Neymar e falar que não vai poder driblar, dar chapéu, gol de cabeça… Por isso resolvi dar um basta. Os caras que estão lá que se limitem a cumprir as regras. E tem jornalistas de primeira grandeza. Celso Freitas, Marcos Hummel, Ana Paula Padrão e uma equipe que é maravilhosa.

Qual foi a gota d´água? 

Quando participei de um quadro do programa “Legendários”, do Marcos Mion. Ali tinha um monte de grandes talentos relegados e só levantando plaquinha. Quando conversamos, me disseram que o contrato os prendia. Aí decidi sair.

E as multas? 

Eles estão invertendo a bola. Eu que denunciei. Estou cobrando a multa do segundo contrato.

E a multa do primeiro contrato, que estava pendente desde sua primeira passagem pela Record? 

Isso que eu acho estranho. O natural seria perdoarem minha multa. Mas disseram que perdoariam apenas se eu cumprisse o segundo contrato. Quem disse que não forçaram a barra para acelerar o processo da primeira multa?

E na sua volta à Band, que ambiente espera encontrar? 

Eu não tinha para onde ir, e a Band fez a proposta. A Band só me demonstrou carinho e amizade. Tenho uma enorme gratidão pelo dono, Johnny Saad, que até para o médico já chegou a me levar, e pessoalmente. O interessante é que as pessoas que eu não gostava me acolheram bem, sentiram minha falta. Mas se o ambiente for ruim, largo tudo.

Muitos criticam seu programa e consideram-no violento. 

Eu faço um programa que é reacionário, sob um ponto de vista claro mostrando o que acontece na sociedade. Só que meus comentários alguns imbecis não entendem. Sou um cara de formação totalmente de esquerda, li muito na vida, já ganhei inclusive dois prêmios Herzog de direitos humanos.

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