“Perdidos na Tribo” dá lição de vida com turismo exótico


Telma Caldeira e sua filha Natalia Sackiewicz em meio a integrantes da tribo Hamer, na EtiópiaTelma Caldeira e sua filha Natalia Sackiewicz em meio a integrantes da tribo Hamer, na Etiópia

Já exibido em quase uma dezena de países, “Perdidos na Tribo” propõe a três famílias habituadas ao cotidiano nas grandes cidades a experiência de viver em tribos na África ou na Ásia. “Foi um choque cultural”, disse um dos participantes ao se ver cercado de indonésios com pouca roupa.

Para quem vê televisão no Brasil e está habituado a se chocar apenas com baixaria, mau gosto ou mediocridade, levar um choque de cultura é um avanço e tanto. No contexto geral da programação, o reality show que a Band estreou na noite de sexta-feira destaca-se claramente como uma atração muito acima da média.

“A gente vê essas coisas em documentário da África na TV”, disse Telma Caldeira, preocupada com as moscas que assolam a tribo Hamer, na Etiópia. “Achei que estava dentro de uma peça de teatro”, espantou-se Felippe Oliva ao ver as túnicas dos indonésios da tribo Mentawai. “Achei bem exótico o jeito deles”, comentou Jaime Menendez, ao ser recebido na tribo Himba, na Namíbia. “Foi o dia em que vi mais peito na minha vida”, observou Menendez.

As três famílias, todas de classe média, disputam um prêmio de R$ 250 mil. O valor será dividido entre as que forem aceitas pelas tribos ou não desistirem da aventura de um mês.

Todos viajaram acompanhados por equipe técnica e assistência médica. As tribos escolhidas certamente são remuneradas para receber os estrangeiros. Nada disso tirou, neste primeiro episódio, a impressão de que aquelas pessoas estavam, de fato, vivendo uma nova e enriquecedora experiência em suas vidas.

A Band chama “Perdidos na Tribo” de “docu-reality”, ou seja, um misto de documentário com reality show. Mas não dá para levar muito a sério esta classificação quando se sabe que a emissora chamou do mesmo jeito “Mulheres Ricas”, um dos programas mais artificiais e sem alma exibidos este ano na televisão.

Para os brasileiros que sonham viajar para Miami ou Cancun, o turismo exótico a que as famílias Menendez, Oliva e Sackiewickz estão se submetendo deve soar como um castigo, uma tortura. Pode ser. Quem reclama deve ignorar que há poucas maneiras tão eficientes de conhecer a si próprio do que viajando para onde tudo é diferente.

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